Tendinite fibular: a dor na lateral do tornozelo que confunde muitos pacientes.

Você já sentiu uma pontada persistente na parte externa do tornozelo, logo atrás daquele ossinho saliente, que parece melhorar com o repouso mas volta com força total ao descer uma escada ou correr em terrenos irregulares? Muitas pessoas ignoram esse sinal, acreditando tratar-se de uma leve entorse que “vai passar sozinha”. No entanto, o que parece um incômodo passageiro pode ser o início de uma tendinite fibular, uma condição que desafia diagnósticos apressados e exige uma compreensão profunda da biomecânica do pé. O pé humano é uma obra-prima da engenharia, e os tendões fibulares — o curto e o longo — são os principais guardiões da estabilidade lateral. Eles percorrem a lateral da perna, passam por trás do maléolo lateral (o osso externo do tornozelo) e se inserem em pontos estratégicos do pé. O fibular curto ancora-se na base do quinto metatarso, enquanto o longo cruza a planta do pé até o primeiro metatarso. A função deles é clara: evitar que o pé “vire” para dentro e auxiliar na propulsão. Quando essa estrutura é sobrecarregada, a inflamação se instala, mas o verdadeiro problema muitas vezes não está no tendão em si, e sim na mecânica que o envolve. O “X” da questão: Por que a inflamação acontece? Diferente de uma fratura aguda, a tendinite fibular costuma ser uma patologia de uso excessivo ou erro biomecânico. Analisando clinicamente, observamos três cenários principais: O pé cavo ou varo: Pessoas com o arco plantar muito alto tendem a caminhar sobre a borda externa do pé. Isso coloca os tendões fibulares sob uma tensão excêntrica constante. É como uma corda sendo esticada além do seu limite em cada passo. Instabilidade crônica: Pacientes que sofreram entorses repetidas e nunca fizeram uma reabilitação adequada costumam ter ligamentos frouxos. Os tendões, então, tentam compensar essa folga ligamentar, trabalhando o dobro para manter o tornozelo no lugar, o que leva à exaustão do tecido. Erros de treinamento: O aumento súbito de volume na corrida ou o uso de calçados desgastados que perdem a capacidade de suporte lateral. Um caso que atendi recentemente ilustra bem essa confusão diagnóstica. Um corredor de trilha queixava-se de dor lateral há meses. Ele havia passado por dois profissionais que trataram a dor como uma “entorse mal curada”. Ao analisarmos a biomecânica, percebemos que ele possuía um retropé varo (calcanhar inclinado para dentro). O tendão fibular curto apresentava uma fissura longitudinal — um “split” — causada pelo atrito constante contra o osso. Não era apenas inflamação; era um dano estrutural por sobrecarga mecânica. O desafio do diagnóstico e o caminho da recuperação A grande armadilha da tendinite fibular é que seus sintomas mimetizam outras condições, como a síndrome do cuboide ou fraturas por estresse do quinto metatarso. Por isso, o diagnóstico por imagem, como a ressonância magnética ou o ultrassom dinâmico, torna-se essencial para avaliar se há apenas fluido ao redor do tendão (tenossinovite) ou se já existem rupturas parciais. O tratamento raramente começa na mesa de cirurgia. A abordagem conservadora é o padrão ouro inicial. Isso envolve não apenas repouso e anti-inflamatórios, mas uma fisioterapia ortopédica de precisão. O foco deve ser o fortalecimento excêntrico e o treino de propriocepção — ensinar o cérebro e os músculos a reagirem rapidamente a irregularidades do solo. Em casos de pé cavo, palmilhas customizadas podem redistribuir a pressão, aliviando a carga sobre a lateral do pé.

Dr. Alejandro Zoboli Quais são os sintomas da osteoartrose?

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